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I know, should stop believing
I know, there’s no retrieving
It’s over now, what have you done?

segunda-feira, agosto 28, 2006

Correira


Das sombras da terra nasce por vezes uma fonte de razão, nem sempre os seus obscuros métodos recebem a aprovação de todos… mas ao menos usa métodos, usa meios, faz por isso. Neste mundo perdido em feiras de vaidades não há muito para ver que não a nossa própria raça a destruir-se a cada dia que passa.
Há alturas em que as sombras nos parecem tão apetecíveis. Basta um passo para cair e uma eternidade para sair. Rima mas não tem nada a ver com poesia ou conto de fadas em que todo é belo a todo o momento. Lembro-me das histórias de embalar da minha infância e comparo-as com os contos de terror que se vivem hoje… a diferença é, sem qualquer sombra de dúvida, alarmante.
Tentam fazer crescer as crianças na ignorância do mundo cruel para quando atingirem a maturidade suficiente para a compreensão com algum discernimento próprio lhes passarem a vida a lembrar o quão cruel o mundo de hoje é. Não vejo sentido mas também não vejo qualquer ponto de razão de ser. São as próprias pessoas que se auto incutem sofrimento e dor. Todos os dias carregando os seus sacos de roupa alternativa para o trabalho que não gostam, carregando a comida feita e casa esperando por mais nada que não a hora de saída e o dinheiro ao fim do mês para poderem continuar na sua vida miserável e sem sentido. Como podemos esperar crescer como raça se nos reservamos a mais profunda agonia psicológica e a mais profunda ignorância de ser? Que mundo pode evoluir com criaturas de alma tão fechada e tão pobre? A nobreza da alma é tão escassa nos dias que correm que parece que morreu com o passado. Os grande poetas, pensadores e iniciados de outrora parecem ter ficado no passado sem ninguém que os arranque de lá! Comem apressadamente na esperança de um momento de descanso…
A sociedade de hoje orienta-se por um tempo que consome a passos largos. Nunca há tempo para nada, não tem tempo para si, para a família, para os amigos, para todo e para nada. Vivemos num mundo em que o tempo deixou de nos sobrar a nascença. Que tipo de criaturas troca paz e sossego por locais a abarrotar de gente a correr desenfreada de um lado para o outro em busca de tudo e de nada, em busca de resolver os seus assuntos com rapidez para ganhar tempo que perdem em assuntos de trabalho e de pouca necessidade? Que tipo de criaturas chama escapar a rotina a centros comerciais a abarrotar de pessoas?
Parece que já não sabem distinguir o certo do errado sem se porem do lado de fora, sem se importarem com o que interessa.
É nesta sociedade de juízos impiedosos, sem qualquer pena ou fé nos outros e no mundo que os poucos crentes de fé naquilo que a humanidade poderia ser nos tentamos destacar através de blogs que não tem fim, através de breves momentos em frente a uma folha branca a expressar o que nos vai na alma, muitos tão absortos na sua própria dor e na sua pessoa que não vêem o que os rodeia. Eu faço parte desta ordem de correira diaria. O tempo mal me deixa respirar quanto mais dar-me tempo. Quando consigo para olho para tudo a minha volta e sinto-me enojada por também ter que participar desta corria desenfreada de quem nao pode mais do que subreviver nesta vida de tempo sem tempo.
Shakespeare estava errado, ou pelo menos já não esta certo. Já não é viver ou morrer mas sim sobreviver ou morrer.
Paz!

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