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I know, should stop believing
I know, there’s no retrieving
It’s over now, what have you done?

sexta-feira, novembro 24, 2006

Razão

Das sombras da terra nasce por vezes uma fonte de razão, nem sempre os seus obscuros métodos recebem a aprovação de todos… mas ao menos usa métodos, usa meios, faz por isso. Neste mundo perdido em feiras de vaidades não há muito para ver que não a nossa própria raça a destruir-se a cada dia que passa.
Há alturas em que as sombras nos parecem tão apetecíveis. Basta um passo para cair e uma eternidade para sair. Rima mas não tem nada a ver com poesia ou conto de fadas em que todo é belo a todo o momento. Lembro-me das histórias de embalar da minha infância e comparo-as com os contos de terror que se vivem hoje… a diferença é, sem qualquer sombra de dúvida, alarmante.
Tentam fazer crescer as crianças na ignorância do mundo cruel para quando atingirem a maturidade suficiente para a compreensão com algum discernimento próprio lhes passarem a vida a lembrar o quão cruel o mundo de hoje é. Não vejo sentido mas também não vejo qualquer ponto de razão de ser. São as próprias pessoas que se auto incutem sofrimento e dor. Todos os dias carregando os seus sacos de roupa alternativa para o trabalho que não gostam, carregando a comida feita e casa esperando por mais nada que não a hora de saída e o dinheiro ao fim do mês para poderem continuar na sua vida miserável e sem sentido. Como podemos esperar crescer como raça se nos reservamos a mais profunda agonia psicológica e a mais profunda ignorância de ser? Que mundo pode evoluir com criaturas de alma tão fechada e tão pobre? A nobreza da alma é tão escassa nos dias que correm que parece que morreu com o passado. Os grande poetas, pensadores e iniciados de outrora parecem ter ficado no passado sem ninguém que os arranque de lá! Comem apressadamente na esperança de um momento de descanso…
A sociedade de hoje orienta-se por um tempo que consome a passos largos. Nunca há tempo para nada, não tem tempo para si, para a família, para os amigos, para todo e para nada. Vivemos num mundo em que o tempo deixou de nos sobrar a nascença. Que tipo de criaturas troca paz e sossego por locais a abarrotar de gente a correr desenfreada de um lado para o outro em busca de tudo e de nada, em busca de resolver os seus assuntos com rapidez para ganhar tempo que perdem em assuntos de trabalho e de pouca necessidade? Que tipo de criaturas chama escapar a rotina a centros comerciais a abarrotar de pessoas?
Parece que já não sabem distinguir o certo do errado sem se porem do lado de fora, sem se importarem com o que interessa.
É nesta sociedade de juízos impiedosos, sem qualquer pena ou fé nos outros e no mundo que os poucos crentes de fé naquilo que a humanidade poderia ser nos tentamos destacar através de blogs que não tem fim, através de breves momentos em frente a uma folha branca a expressar o que nos vai na alma, muitos tão absortos na sua própria dor e na sua pessoa que não vêem o que os rodeia.
Shakespeare estava errado, ou pelo menos já não esta certo. Já não é viver ou morrer mas sim sobreviver ou morrer.
Paz!

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